Boas festas

20 de dezembro de 2007 |

Caros colegas,

em virtude das festas de fim de ano, o Cosmética em Foco só retornará as atividades em fevereiro de 2008.

O ano novo vem repleto de novidades: teremos um novo layout e uma nova dinâmica nas postagens. Aguardem...

Boas festas a todos e lembrem-se: durante o verão, redobrem os cuidados com a proteção solar e bebam bastante líquido.

O mercado cosmético

|

Para finalizar o ano de 2008, este post especial com uma breve análise do mercado cosmético em 2006 e projeções para o futuro, baseado em artigo de Briony Davies na revista Global Cosmetics Industry de setembro de 2007.


O mercado de cuidados pessoais é amplo, mas com setores com pouco movimento como as áreas de produtos para o banho e higiene oral e os mais emergentes como produtos infantis produtos masculinos e cuidados com o sol.

Os mercados maduros
A Europa Ocidental e a América do Norte são os maiores mercados de cuidados pessoais (produtos de higiene) e em 2006 venderam U$ 27 bi e U$ 19,6 bi, respectivamente. No entanto, estes mercados apresentaram crescimento menor que 15% de 2001 a 2006, porque seus consumidores preferem economizar, acreditando que a qualidade das marcas mais baratas é capaz de proporcionar a higiene necessária. Assim, a competitividade pelos preços é alta e a lealdade às marcas é baixa entre os produtos de higiene. Os produtos de higiene são vendidos principalmente (50%) em supermercados e nas discounter stores. A estratégia principal das empresas é fazer com que o consumidor troque de marca, agregando conveniência e funcionalidade por meio de benefícios cosméticos – como tratamento da pele, anti-sinais e esfoliação.

Os mercados emergentes
De 2001 a 2006 houve um crescimento de 73,4% no mercado cosmético da América Latina, o crescimento mais rápido por região já observado. Este crescimento ocorreu devido aos produtos pouco desenvolvidos até então como cuidados com sol, produtos infantis e produtos masculinos.

A previsão é que as empresas invistam mais nesses produtos e atuem como educadoras para explicar aos consumidores a importância e os benefícios desses produtos.

Higiene pessoal
Os produtos para banho e higiene pessoal são os mais vendidos dentre todas as categorias de cuidados pessoais, com vendas globais de U$ 23,6 bilhões. Entretanto, o crescimento médio anual não passa de 3,5%, representando o mercado de menor crescimento. Uma das tendências para essa área é a segmentação de mercado, com novos produtos desenvolvidos especificamente para homens, mulheres, crianças e idosos, ou mesmo para estilos de vida específicos.

Higiene oral
Trata-se do maior mercado, atingindo U$ 27,7 bilhões em vendas, mesmo que seja o menos dinâmicos . Os produtores apelam para o aumento do valor do produto, agregando tecnologia e mudança nas rotinas, como os branqueadores dos dentes.
Produtos infantis
As vendas dos produtos infantis creceu 6,8% em 2006. Principalmente porque as mães agora estão cada vez mais bem informadas e preocupadas com a higiene dos bebês.

Cuidados com o sol
Com vendas globais de U$6,2 bilhões em 2006, esse mercado foi o mais dinâmico entre 2001 e 2006. Acredita-se que apresentará o maior crescimento nos próximos anos devido à crescente preocupação dos consumidores sobre os riscos da exposição ao sol. A demanda esbarra ainda na falta de conveniência para o consumidor que utiliza muitos produtos simultaneamente.

Perspectivas de futuro
O futuro dos produtos de higiene pessoal não é nada promissor. Com crescimento previsto entre 2006 e 2011 de apenas 12%, a tendência para esse setor é a incorporação de propriedades cosméticas ou aumento da funcionalidade dos produtos.

A mesma regra não pode ser aplicada ao amplo mercado de produtos formulados com ingredientes naturais e orgânicos. O foco das marcas deve ser eliminar ingredientes sintéticos e adjuvantes “queimados no mercado” - como é o caso dos parabenos e do formol.

Opinião do autor: Os dados apresentados neste Post são oriundos da Euromonitor. Muitos artigos que li durante 2007 tratavam desses temas e fui compilando as informações. É importante conhecer o passado para planejar o futuro, e não há melhor época que o final do ano para se planejar as ações do ano seguinte. Antes de desenvolver novos produtos ou de montar um novo negócio, é importante analisar o mercado e saber onde está pisando para não perder seus investimentos. O mundo moderno nos tirou o direito de errar...

Os nutricosméticos

18 de dezembro de 2007 |

Trata-se de uma nova classe de produtos da categoria saúde e beleza, que incorporam ingredientes nutracêuticos em sistemas de liberação tópica, acrescidos da elegância, do sensorial e dos benefícios auxiliares dos cosméticos. Diferentes dos cosmecêuticos, que incorporam ativos farmacêuticos ou que tenham ação corretiva semelhante a farmacêuticos para aplicação tópica. Os nutricosméticos unem nutrição a saúde do corpo e da pele, amplificando a beleza interior por meio de vitaminas, aminoácidos, proteínas e ativos botânicos que oferecem benefícios antioxidantes.

Multinacionais como L’Oreal e Procter & Gamble já expadem seus negócios oferecendo suplementos dietéticos, ou “cosméticos orais”. São produtos inovadores comercializados especificamente por seus benefícios para a beleza e são sempre associados a tratamentos tópicos de alta performance. O primeiro suplemento nutricional para a pele mundial foi introduzido em 1991, o Imeedeen (Ferrosan), promete restaurar e nutrir a pele de dentro para fora com todos os ingredientes que auxiliam a reduzir os sinais visíveis do envelhecimento. Ele contém Biomarine Complex e o complexo antioxidante LycoPhence GS. Há também uma formulação mais nova que inclui ainda ativos para as necessidades específicas da pele de mulheres após a menopausa.
A vitamina E, a vitamina C, a coenzima Q, os carotenóides beta-caroteno e licopeno, os aminoácidos e seus análogos (principalmente L-arginina e s-adenosilmetionina), o ácido lipóico e os flavonóides, estão entre os nutracêuticos mais comumente utilizados e discutidos.
  • Vitamina E: um potente antioxidante liposolúvel e amplamente disponível.
  • Vitamina C: o ácido ascórbico ou os seus sais, os ascorbatos, são os maiores antioxidantes de fase aquosa, que sequestram radicais peroxila antes que eles possam desencadear a peroxidação lipídica.
  • Coenzima Q: um suplemento alimentar ainda pouco popular em produtos cosméticos devido ao seu custo elevado.
  • Licopeno: o maior representante dos carotenóides tem maior potencial antioxidante que o beta-caroteno (e pode ser responsável por muitos dos efeitos cardiovasculares atribuídos a ele).
  • Flavonóides: antioxidantes polifenóis naturalmente presentes em vegetais, frutas, vinho tinto e chás, aos quais promove cor, textura e sabor. Os grupos mais importantes de flavonóides são antrocianinas, flavonols, flavonas, catequinas e flavanonas. Essas substâncias também atuam inibindo a peroxidação lipídica.
  • Arginina: exerce sua ação benéfica via metabolismo do óxido nítrico, um potente vasodilatador, por meio das óxido nítrico sintetases.

Dezenas de produtos já estão disponíveis no mercado, com ações prometidas de clareamento cutâneo, proteção contra os fatores de estresse ambientais, anti-sinais do envelhecimento, degradação de lipídios, regeneração e rejuvenescimento da pele, anti-rugas etc.

Muitas companhias dos EUA, Europa e Ásia aceleram o desenvolvimento de linhas de produtos que atendam a esse mercado de beleza via oral.

A definição de cosmético é clara ao dizer que este tipo de produto age topicamente, sem absorção sistêmica. Logo, se há absorção e distribuição dos ativos presentes em um produto, ele deixará de ser um cosmético e necessitará de um outro tipo de registro, bem como obedecerá a normas mais criteriosas de produção e, principalmente, necessitará responsabilidade técnica de um farmacêutico, segundo a lesgislação atual.Opinião do autor: A nomenclatura está confusa e deveria ser repensada. Esses produtos de uso oral devem continuar pertencendo a classe de nutracêuticos ou suplementos e sob a responsabilidade de nutricionistas e médicos. Principalmente porque o mais prejudicado por essa confusão de nomenclatura é o próprio indivíduo (paciente ou consumidor final). Além disso, existem uma infinidade de ações corretivas muito bem-sucedidas pela via tópica. Não há porque o mercado cosmético “migrar” para a via oral.

Fonte: KANGA, V. Nutricosmetics Products – Part 1. Acesso em: 05/11/2007.

O chocolate e as “superfrutas”

13 de dezembro de 2007 |

Ultimamente tem aumentado a procura por extratos e ingredientes derivados do chocolate por suas conhecidas propriedades antioxidantes, mas produtos lançados nos EUA já utilizaram apelo de afrodisíaco e controlador do apetite para produtos contendo chocolate.

A Phytobase está aumentando essa oferta de produtos com o novo Amoriss, que se insere no crescente e promissor mercado de alimentos funcionais. O consumidor poderá, alem de comer o chocolate, derretê-lo e aplicá-lo sobre o rosto ou a pele como nutriente, hidratante ou máscara antioxidante facial para tratamentos de longevidade cutânea.

O produto contém extratos de “superfrutas” que incluem, entre outras, açaí e vinho tinto. O termo superfrutas (superfruit) se refere a quaisquer frutas que tenham componentes altamente antioxidantes ou outros nutrientes benéficos. Um deles, o reveratrol, é um antioxidante encontrado em vinhos, uvas, framboesas, amendoins e amoras (dessa forma, todas se encaixam no “supergrupo dos superalimentos”). O objetivo da empresa é fazer com que as pessoas melhorem seu bem-estar simplesmente comento um pedaço de chocolate.

Os antioxidantes são entendidos como substâncias que previnem o dano celular, inibindo a formação de radicais livres, que são átomos ou moléculas capazes de causar dano ao DNA e levar ao câncer, além do envelhecimento aparente da pele.
Este produto atravessa a barreira entre alimentos e cosméticos, um fenômeno que vem crescendo nos últimos anos. Onda que continua com a recente popularidade dos alimentos da beleza e dos nutracêuticos.

Opinião do autor: em breve trarei um post sobre os nutricosméticos e deixo cada um concluir por si.

Artigo original: HALLIDAY, J.; BIRD, K. Organic chocolates double as antioxidant facemask. Disponível em: http://www.cosmeticsdesign.com/news/ng.asp?n=81367&m=1CDUN15&c=ohcqpwlninapylm. Acesso em 20/11/2007.

Chá preto: fotoprotetor natural

10 de dezembro de 2007 |

A aplicação tópica de gel de chá preto reduz significativamente a vermelhidão da pele após exposicão à radiação UV. Entretanto, é predominantemente na região UVB que ocorre a proteção para a maioria dos casos de queimadura solar. A proteção é pouco efetiva para os raios UVA.Os pesquisadores da Turquia, Turoglu e Cirgirgil, aplicaram o gel de chá preto em 3cm2 do antebraço de seis indivíduos. O quadrado e uma área similar sem o gel (controle) foram expostos à radiação UV enquanto o restante do braço foi protegido. Não foram relatados eritema em nenhum dos locais de aplicação do gel de chá preto, enquanto todos os indivíduos apresentaram vermelhidão nas regiões controle após 24 horas.


Eles concluíram que o gel de chá preto pode oferecer proteção a uma certa faixa de radiação UV, além de poder ser aplicado

Absorção predominante de raios UVB
Foi testado o perfil de absorção do extrato de chá preto e observou-se picos de absorção entre 250 e 290nm (região da radiações UVB e UVC). Entretanto, os raios UVA são agentes importantes no envelhecimento e no desenvolvimento do cancer de pele. A preocupação é tanta com esse tipo de radiação, que em Agosto deste ano o FDA (Food and Drug Administration) alterou a rotulagem dos produtos, exigindo pela primeira vez que os fabricantes coloquem nos rótulos o nível de proteção UVA dos produtos.

Duas vias de proteção
Segundo os pesquisadores, o chá preto mostrou propriedades de reparo da pele, devido a seus componentes antioxidantes. Assim, eles concluíram que a proteção do extrato de chá preto ocorre por duas vias distintas: (1) prevenindo o dano causado pela radiação UV ao absorver esta radiação e (2) reparando o dano celular causado pelos raios UV.

Além de proteger mais que os fotoprotetores atuais (que só protegem absorvendo a radiação UV), o extrato é natural, de baixo custo e sem efeitos tóxicos e colaterais conhecidos. Uma boa alternativa para a tendência atual de cosméticos orgânicos e naturais.

Opinião do autor: apesar de ser uma descoberta promissora, ainda são necessários mais estudos em humanos para garantir que não há mesmo efeitos tóxicos ou colaterais graves deste extrato. Além do mais, as formulações de fotoprotetores atuais não são géis, todas têm um conteúdo oleoso (necessário para a incorporação dos próprios ativos fotoprotetores).

Saiba mais: TUROGLU, M.; CIRGIRGIL, N. Evaluation of black tea and its protection potential against UV. Int J Cosmetic Science. V. 29, p. 437-442, dezembro, 2007.

Related Posts with Thumbnails

Obrigado aos Hit Counter by Digits leitores deste site.

Este blog possui atualmente:
Comentários em Artigos!
Widget UsuárioCompulsivo