Testes da revista Pro-Teste

30 de dezembro de 2009 |

O meu criticismo com testes e pesquisas científicas e de mercado aumenta a cada dia que passa. São resultados alarmantes de reações "gravíssimas" observadas em um universo de 10 pessoas, extrapolações de pesquisas de mercado realizadas com um grupo pequeno e isolado de indivíduos e são exatamente esses os que são divulgados aos sete ventos, para não dizer que se joga certo substantivo no ventilador...


Sempre aconselho clientes, alunos e amigos a serem muito críticos ao analisarem resultados de pesqusias. Um universo de 100 pesquisados no Rio de Janeiro, por exemplo, não é suficiente para dizer (1) o resultado reflete a realidade do país - com mais de 190 milhões de habitantes, segundo dados do IBGE; (2) o produto XYZ testado serve ou não serve, atende ou não atende a requisitos. Salvo se a análise for referente ao lote de produção, por exemplo quando o INMETRO realiza inspeções rotineiras para avaliar se as empresas cumprem os volumes (e/ou pesos) impressos em seus rótulos. (Imagino que os usuários de cosméticos e consumidores de alimentos mal sabem dessa prática. Eu mesmo já acompanhei alguns desses testes.)

Recentemente a Revista Pro-Teste publicou o resultado polêmico de uma análise de fotoprotetores, na qual oito das dez marcas avaliadas foram consideradas reprovadas. Como a figura ficou de difícil legibilidade, segue o meu comentário: nenhuma das marcas foi reprovada quanto a proteção UVB, o nosso velho conhecido FPS, portanto, continuem acreditando em suas marcas! Elas cumprem o que prometem! A proteção UVB, no Brasil, ainda não é exigida pela Anvisa, mas é de preocupação de muitos fabricantes, o grande porém é que o brasileiro não quer pagar caro por seus produtos e os filtros químicos UVA têm custo elevado, pois os de custo mais baixo estão em cheque na Europa por potencial carcinogênico (potencial para ocasionar câncer).
A grande questão é que a Pro-Teste costuma lançar a polêmica, não conclui o debate e nem dá muito direito de resposta às empresas. Como uma entidade de defesa do consumidor, ela deveria atuar como parceira. Além disso, o fato de defender o consumidor não diz que se tem que ver os fabricantes como vilões, pois erros acontecem nas melhores instituições do mundo simplesmente por trabalharem com seres humanos. Quem nunca deixou o arroz queimar que atire a primeira colher de pau!

Vale lembrar também, que uma coisa é a estabilidade do produto no sol e outra é a eficácia UV do produto. Os técnicos estão cansados de saber que emulsões não costumam combinar com radiação UV, principalmente emulsões complicadas como a de fotoprotetores. No entanto, o que 100% dos usuários faz é levar o seu fotoprotetor para a praia ou a piscina e o deixam exposto ao sol. Tenho feito um trabalho já há um ano orientando usuárias de cosméticos a utilizar seus produtos da melhor forma para obterem o máximo de resultado e tem funcionado muito bem! (Caso alguém se interesse, tenho esse curso preparado e disponibilidade para viajar o Brasil inteiro mediante agendamento.)


Concordo plenamente com o texto de Cristiane M Santos na revista Cosmetics & Toiletries de Novembro/Dezembro de 2009, disponível no site da revista.

Já tem mais um post sobre fotoprotetores preparado e pronto para ser publicado e um terceiro em confecção. Aguardem!

Feliz 2010

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Como o natal é uma festa religiosa eu costumo me abster dos cumprimentos, mas quem me conhece sabe que sempre desejo o melhor para todos a minha volta e isso inclui os queridos leitores do Cosmética em Foco, os grandes responsáveis pelo sucesso que é este site entre químicos, farmacêuticos, esteticistas, cabeleireiros e usuários de cosméticos!
Devo a vocês e aos poucos parceiros que tenho com este site todos os bons momentos que tive desde que ele foi criado. São fornecedores de matérias-primas, jornalistas, blogueiras (algumas blogueiras e tuiteiras) e leitores que me ajudam muito com sugestões, informações úteis e discussões sobre posts.
Deixo registrado o meu desejo sincero de que 2010 seja um ano de muito sucesso para todos! Mas vale lembrar que o sucesso é resultado de muita dedicação e persistência então, na verdade, desejo a todos muita dedicação e persistência para que o seu ano novo seja um sucesso, mesmo após os momentos difíceis que certamente surgirão.
Espero também que no próximo ano eu consiga um (a) companheiro (a) para dividir as postagens. Sugestões e indicações de profissionais ou estudantes de química, farmácia ou comunicação são sempre muito bem vindas!
Feliz ano novo a todos!

Pele sintética tupiniquim

15 de dezembro de 2009 |

Há meses atrás apresentei aqui no Cosmética em Foco uma notícia sobre as alternativas aos testes em animais. É com muito orgulho que dessa vez apresento a pele artificial da equipe da Profa. Silvia Stuchi Maria-Engler, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP).

Eles desenvolveram um modelo de pele artificial que mimetiza a estrutura da pele, com derme e epiderme. Reconstituída a partir de queratinócitos, melanócitos e fibroblastos cultivados em gel de colágeno, esta estrutura possui características de crescimento e morfologia muito similares à pele humana, aumentando a reprodutibilidade de testes com cosméticos e medicamentos.

O produto atende a uma necessidade do mercado, pois os produtos exportados para a União Européia não podem mais ser testados em animais. Podendo, em breve, ser testados in vitro aqui mesmo no Brasil, pois os testes garantem a segurança e eficácia de produtos e princípios ativos. Como pouco a pouco os brasileiros também reconhecem a importância de se reduzir os testes em animais. Essa pesquisa torna-se duplamente importante social e economicamente.

Na Europa e nos Estados Unidos, existem modelos de pele artificial à venda, mas há a dificuldade em importar por ser material vivo e, portanto, perecível. O modelo desenvolvido na USP é idêntico aos produzidos no exterior e também com a possibilidade de produção de kits sob encomenda.

Ainda não há disponibilidade para uso em escala industrial e novas pesquisas acontecem para se conseguir recriar a pele artificial a partir de células obtidas aqui mesmo no Brasil.

Nada ainda definido, mas uma grande perspectiva e uma ótima notícia para o que insistem que no Brasil não se faz pesquisa aplicada. Enquanto isso nós aguardamos com muito otimismo.

Sobre o envelhecimento cutâneo

12 de dezembro de 2009 |

Esta semana, recebi um email da Adréa da Luz, do Não Vivo Sem Cosméticos com algumas dúvidas técnicas. Alguns emails para cá e outros para lá e o resultado foi a contribuição para este excelente post que ela escreveu sobre o envelhecimento cutâneo.


Vale a pena conferir clicando aqui.

Hiperidrose

7 de dezembro de 2009 |

O que é?
A hiperdidrose é a hiperatividade das glândulas sudoríparas que leva à transpiração excessiva. Trata-se de uma situação extremamente desconfortável para homens e mulheres, principalmente nas palmas das mãos, plantas dos pés, axilas, mamas e face.
Os fatores que desencadeiam a sudorese excessiva são o aumento da temperatura ambiente, exercício físico, febre, ansiedade e ingestão de alimentos condimentados.
Pode ser uma afecção primária ou secundária a uma outra condição pre-existente, como hipertireoidismo, distúrbios psiquiátricos, menopausa ou obesidade. Afeta cerca de 1% da população e apenas uma pequena parcela desses pacientes tem o seu problema resolvido e tratado de forma eficaz e duradoura.
O início dos sintomas pode serem qualquer época da vida, por razões desconhecidas. Eventualmente existe relação de histórico familiar.
É uma condição constrangedora, pois dificulta as atividades diárias no trabalho, lazer e atividades sociais, especialmente quando está associada ao odor fétido (situação conhecida como bromidrose), causado pela decomposição do suor por bactérias e fungos presentes naturalmente na pele. Atos simples com escrever ou apertar as mãos de alguém podem se tornar embaraçantes.

Como trata?
O tratamento convencional utiliza antitranspirantes e adstringentes, como sais de alumínio de zinco, que devem ser aplicados sobre a pele seca e limpa. No entanto, pode causar dermatite de contato ou manchar a pele, além de ser extremamente complexo se o local afetado for a palma das mãos.
Nos casos mais brandos, o uso de talco ou amido são suficientes para absorver o suor.
Hoje já encontra-se disponível em algumas clínicas nas principais capitais do país o tratamento cirúrgico: simpatectomia torácica por videotoracoscopia, para os casos mais graves e reincidentes.

Cuidados especiais (paliativos)
O uso frequente de sabonetes desodorantes e antissépticos pode favorecer o surgimento de dermatites.
Evitar usar o mesmo calçado dois dias consecutivos. O ideal é alterná-los, deixando um em repouso com um pouco de talco ou em contato com outro material absorvente. Deve-se optar por palmilhas absorventes e (ATENÇÃO!) apenas usar meias de algodão. Evitar o uso de meias sintéticas que estimulam ainda mais a transpiração sem absorver o suor.
A psicoterapia e os tratamentos medicamentosos com ansiolíticos, antidepressivos e anticolinérgicos só são eficazes nos casos em que a causa da hiperidrose é emocional ou decorrente de distúrbio da ansiedade.
Mantenha a pele hidratada com produtos não oclusivos - que não contenham vaselina (petrolatum) ou óleo mineral (paraffinum liquidum), por exemplo. Preferencialmente com agentes hidratantes que penetram a pele com o pantenol, o PCA-Na, os lactatos e os derivados de uréia.

Opinião do autor: sofro com isso desde criança e no meu caso a alimentação balanceada, a manutenção da hidratação da pele e o uso de meias de algodão (uma única vez) são suficientes. Faz parte também do meu ritual diário secar muito bem os pés (pois é onde tenho mais problemas) e sempre que posso fico sem calçados fechados. Quem se identificou e não concorda com a sua situação deve procurar um dermatologista e tratar, pois há casos em que o paciente fica com a região afetada completamente cheia de feridas que podem ser a porta de entrada para infecções.

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