Desodorantes e Antitranspirantes – Parte 5: Alumínio e seus sais

21 de junho de 2010 |

Continuando a série de posts sobre os desodorante e antitranspirantes, nesta quinta parte abordaremos o alumínio, o principal sal responsável pela ação antitranspirante. Boa leitura!

O alumínio
O alumínio é um dos elementos químicos mais presentes na natureza. Diz-se que é o terceiro elemento mais comum na Terra. Apesar disso, a toxicidade da exposição frequente às diversas fontes de alumínio ainda é desconhecida.

Derivados de alumínio
O cloreto de alumínio (aluminum chloride) foi o primeiro ativo antitranspirante utilizado com boa eficácia. No entanto, tem o inconveniente de causar irritação da pele, manchas e danos aos tecidos, devido ao pH das soluções aquosas desta substância.

Os cloridratos ou cloridróxidos de alumínio surgiram para minimizar os inconvenientes do cloreto de alumínio. Suas soluções apresentam pH mais próximo ao da pele e provocam menos danos aos tecidos. O sesquicloridróxido de alumínio (aluminum sesquichlorohydrate) também apresenta baixo grau de irritação, sendo portanto indicado para produtos hipoalergênicos, bem como o dicloridrato de alumínio (aluminum dichlorohydrate).
 
Os complexos de cloridrato de alumínio e zircônio tamponados são também mais eficazes e menos irritantes que o cloreto de alumínio. Os cloridrato de alumínio e zircônio ativados, por sua vez, são ainda mais eficazes.
Aos formuladores, mais uma vez, cabe a consulta à RDC 211/05 para prever os limites e usos permitidos para cada ativo antitranspirante e, eventualmente, os desodorantes.

O mecanismo de ação dos antitranspirantes é a difusão do sal pelo ducto sudoríparo que após a lenta neutralização da solução ácida de sal metálico, produz um gel ou complexo mucopolissacarídeo. Esta obstrução impede a saída do suor e permanece até que a queratina afetada seja substituída pelos processos normais de renovação celular. Não existem evidências de danos permanentes às glândulas sudoríparas, principalmente porque a transpiração normal recomeça logo após a suspensão do uso do produto.
 

Efeitos adversos
Eventualmente, o uso diário de antitranspirantes pode irritar a pele, provocando sensações de queimadura e ardor. O início da irritação pode acontecer imediatamente ou após dias ou semanas de uso. No entanto, a cura começa a ser observada em até três dias após a remoção total do produto irritante.

Toxicologia
Nascimento e colaboradores, pontuaram que a absorção por inalação de cosméticos, como os antitranspirantes aerosol, pode elevar a taxa deste metal no soro, ossos e urina. Ainda não foi possível concluir se o alumínio é absorvido no pulmão ou no trato gastrintestinal, pois os estudos ainda não isolaram esse tipo de exposição. Vários são os efeitos associados à inalação do alumínio, por isso é importante proceder a aplicação de aerosóis conforme a recomendação dos fabricantes de antitranspirantes de “aplicar a uma distância mínima de 15cm da axila” e “proteger a boda e as narinas para evitar a inalação do produto”. Segundo eles, Exley, em um estudo publicado em 1998, critica a alegação de que o alumínio em antiperspirantes possa afetar a saúde humana.

Os pulmões, o trato gastrintestinal e a pele são as principais barreiras ante a entrada de alumínio no organismo. O que é absorvido pelo organismo, rapidamente é excretado pelos rins. Portanto, a exposição a níveis normais de alumínio não representa risco para os indivíduos saudáveis.

Referências
Alumínio. Acessado em 20/06/2010.
NASCIMENTO, Ludmila Pinheiro; RAFFIN, Renata Platcheck; GUTERRES, Sílvia Stanisçuaski. Aspectos atuais sobre a segurança no uso de produtos antitranspirantes contendo derivados de alumínio. Infarma, v.16, n.7-8, 2004.
RIBEIRO, Cláudio. Cosmetologia Aplicada a Dermoestética. 2ª Edição. São Paulo: Pharmabooks, 2010

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