Especial Verao 2010 - Parte 5

21 de janeiro de 2010 |


Dando continuidade ao nosso Especial Verão 2010, este post é dedicado ao astro-rei e seus efeitos sobre a nossa pele. Os quatro posts anteriores abordaram de maneira geral todo o conteúdo do projeto, a partir de agora vamos nos aprofundar mais em alguns pontos mais importantes para usuários e profissionais de marketing e desenvolvimento de cosméticos, e finalizaremos com posts dedicados integralmente aos profissionais de nível superior sobre produtos e matérias-primas.

O astro-rei

O sol é a fonte de luz e calor para o nosso planeta, e tem garantido a vida na Terra há, pelo menos, 3,5 bilhões de anos. Sua energia, proveniente de reações de fusão nuclear, é emitida na forma de ondas eletromagnéticas de comprimentos que variam de 200 a 3000nm. Da radiação total que chega à atmosfera terrestre, apenas uma fração atinge a superfície. Boa parte dessa radiação é dispersa pelas moléculas de nitrogênio e oxigênio presentes no ar em comprimento de onda na região do visível, mas especificamente na cor azul. (para quem ainda não sabia: é essa a razão pelo céu ser azul, não é "porque Deus é homem". rsrs)

A radiação emitida pelo sol é dividida em diferentes radiações como veremos a seguir.



Infravermelho (IV) (780 a 3000nm) - representa cerca de 48% da radiação solar que chega à Terra e é a responsável pelo aquecimento do nosso planeta. Os raios infravermelho atravessam vidros e superfícies plásticas transparentes, penetram profundamente a pele humana, podendo atingir a hipoderme, onde provocam a dilatação dos vasos sanguíneos (ou seja, é a responsável pelo edema ou inchaço local quando ocorre a exposição excessiva ao sol), estimulando a circulação e o metabolismo geral do corpo humano.

Radiação visível (VIS) (380 a 780nm) - responsável por 44% da radiação solar, é composta por sete coras fragmentadas (popularmente conhecidas como arco-íris): vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Por meio dos olhos e da pele, esta radiação é responsável pela secreção de um hormônio que regula o ritmo do sono noturno, a melatonina.

Radiação Ultravioleta (UV) (200 a 400nm) - representa 7% do espectro solar, com os menores comprimentos de onda e o maior nível de energia. Quando atinge os seres vivos, a UV pode causar queimaduras, alergias, envelhecimento cutâneo e alterações celulares que predispõem ao câncer de pele. No entanto, ela é necessária para a síntese de Vitamina D3 (responsável pela fixação do cálcio nos ossos), melanina e tem ação bactericida e fungicida. Como já vimos, a radiação UV é subdividida em três faixas a saber:

UVA (320 a 400nm) - é a menos eritematosa, mas penetra mais profundamente, podendo causar danos na derme, por isso é a maior responsável pelo fotoenvelhecimento. Esta radiação possui a mesma intensidade durante todo o ano, independente se inverno ou verão, sendo um pouco mais elevada entre 10h00 e 16h00. É a radiação mais presente nas câmaras de bronzeamento artificial.

UVB (290 a 320nm) - cerca de 5% de toda a radiação UV que atinge a superfície terrestre é UVB. É responsável por 80% dos danos provocados pelo sol. Ela produz o eritema (vermelhidão), as queimaduras, a pigmentação da pele e a diminuição resposta imune local (aumentando o risco de infecções). Em longo prazo, os efeitos desta radiação são cumulativos, assim, dependendo do fototipo de pele e do tempo total de exposição da pele ao sol, os raios UVB podem causar danos graves e irreversíveis.

UVC (200 a 290nm) - não atinge a superfície terrestre, pois é absorvida pela camada de ozônio e pode ser gerada artificialmente para esterilização de água e equipamentos cirúrgicos.

Raios X e raios gama (abaixo de 200nm)

O índice UV

A intensidade com a qual a radiação solar atinge a superfície terrestre e a pele humana depende de vários fatores, tais como o comprimento da onda (veja acima), a latitude, a altitude, a atmosfera, a poluição, as nuvens, a estação do ano, o horário e o tempo de exposição.

O índice ultravioleta (IUV) mede a intensidade da radiação UV que incide sobre a superfície da Terra, levando-se em consideração a concentração de ozônio no ar, a posição geográfica, a altitude, o tipo de superfície, a hora do dia, a estação do ano e as condições atmosféricas. Este índice pode ser acompanhado diariamente no site do INEP. As principais praias do Rio de Janeiro têm letreiros exclusivos para o IUV funcionando em tempo integral para que os banhistas estejam cientes dos cuidados que devem tomar.

Efeitos dos raios UV na pele

As principais funções do maior tecido do corpo humano é nos proteger da perda excessiva de água, do atrito com o ar, suas impurezas e objetos, e da luz do sol. A pele, no entanto, com o passar dos anos sofre alterações morfológicas e funcionais como veremos a seguir.

Após a exposição à radiação UV pode haver maior perda transepidermal de água, devido a um rearranjo das células na camada córnea (parte mais externa da epiderme). A pele sofre agressões da radiação UV, apresentando um processo inflamatório local, cujo principal sintoma é o eritema (vermelhidão), a mais famosa manifestação da exposição exagerada à radiação UV. Cerca de 99% do eritema é causado pela radiação UVB de 2 a 8 horas após a exposição e alcança o máximo em até 36 horas. As ondas UVA parecem ser menos efetivas nesses casos.

Além da tradicional “cor de camarão” (o eritema), as áreas expostas ao sol também podem apresentar prurido (coceira), dor, edema (inchaço), vesiculação (formação de bolhas), necrose da pele (as queimaduras propriamente ditas) e diminuição da resposta imune. Cerca de 90% dos raios UVB são absorvidos pela epiderme e 10% atingem a derme. Portanto, é na camada mais externa da pele que podem surgir as queratoses solares e o câncer de pele. Já os raios UVA agem mais na derme e estão diretamente relacionados ao envelhecimento cutâneo. O calor dos raios infravermelhos estimula a circulação sanguínea e o metabolismo.


Vitamina D3

A vitamina D3 (colecalciferol) é sintetizada na pele com estímulo da radiação UV a partir da pró-vitamina D3 (7-deidrocolesterol). Sim, nós fazemos fotossíntese! A transformação da vitamina D3 é transformada no fígado em calcitriol, substância (chamada farmacologicamente de metabólito ativo) essencial para a incorporação do cálcio nos ossos. Dessa forma ela previne o raquitismo infantil e a osteoporose. Além disso, esta vitamina apresenta efeitos positivos na regulação do humor.

Bronzeamento

A radiação UV também estimula a síntese de melanina, que promove o bronzeamento da pele. Inicialmente tem-se o bronzeamento imediato, seguido pelo bronzeado verdadeiro 48 horas após a exposição ao sol, atinge o grau máximo em três semanas e depois diminui se a exposição não for contínua. A formação da melanina é um mecanismo de defesa do corpo contra a radiação solar, podendo aumentar a resistência a queimaduras de 10 a 50 vezes, dependendo do fototipo de pele, além de bloquear parte das radiações UV e VIS que atravessam a epiderme.

Envelhecimento cutâneo

O envelhecimento da pele pode ser classificado como intrínseco (devido a fatores genéticos) ou extrínseco (devido a fatores ambientais). Os principais causadores do envelhecimento extrínseco são a exposição ao sol e o tabagismo.

A pele jovem é igualmente pigmentada, sem manchas, macia, rósea e elástica. A pele intrinsecamente envelhecida é fina, sem elasticidade e enrugada com aprofundamento de linhas faciais de expressão. Já a pele extrinsecamente envelhecida é manchada, espessa, amarelada, frouxa, áspera e dura.

A exposição ao sol acelera e exacerba as alterações clínicas associadas ao envelhecimento da pele, consequência de uma série de alterações metabólicas como o estresse oxidativo que pode causar alterações no DNA, a formação de radicais livres, oxidação de proteínas e desequilíbrio na produção de enzimas antioxidantes, por exemplo. Essas alterações causam a perda da elasticidade e, consequentemente, o surgimento de rugas e flacidez.

Ocorre a diminuição das camadas da epiderme (afinamento) e a pele começa a apresentar ressecamento. Diminui também a capacidade de retenção hídrica do fluido presente na derme e a produção de fibras de colágeno e elastina, responsáveis pela sustentação da pele. Os melanócitos diminui a cada década de vida e os remanescentes apresentam hiperprodução de melanina, causando as famosas manchas senis.

Câncer de pele

Outro efeito da exposição excessiva ao sol é a ocorrência do câncer de pele. Em virtude da heterogenicidade da pele, o câncer de pele pode se apresentar como diferentes tipos de neoplasias, dentre as quais as mais freqüentes são: carcinoma basocelular, responsável por 70% dos diagnósticos de câncer de pele; o carcinoma epidermóide com 25% dos casos e o melanoma, detectado em 4% dos pacientes. O carcinoma basocelular, o mais freqüente, é também o menos agressivo. Este juntamente com o carcinoma epidermóide são também chamados de câncer de pele não melanoma, enquanto o melanoma e outros tipos, com origem nos melanócitos, são denominados de câncer de pele melanoma.

Na Austrália, país com as maiores taxas de incidência de câncer de pele do mundo, a doença se tornou um importante problema de saúde pública.

O câncer de pele corresponde a cerca de 25% de todos os tumores malignos registrados no Brasil. Na Austrália e na Nova Zelândia, o melanome é a quarta forma de câncer mais comum e a sétima mais comum nos Estados Unidos e Canadá. No entanto, quando detectado precocemente, apresenta altos percentuais de cura. Estima-se que a incidência anual seja de 5 mil novos casos de melanoma e 110 novos casos de câncer de pele não melanoma.

Os habitantes de países do hemisfério sul, como Austrália — onde o câncer de pele mata mais de mil indivíduos por ano — e Nova Zelândia, estão mais expostos a radiação solar UV que os habitantes de países do norte da Europa. O impacto dessa diferença na radiação na saúde da população é nítido, uma vez que a incidência e a mortalidade por melanoma na Austrália e na Nova Zelândia são , respectivamente, quatro e duas vezes mais alta que o norte da Europa.

Além disso, a exposição crônica tem causado rápido crescimento na incidência de câncer de pele não melanoma. Mais de 80% dos casos deste tipo de câncer ocorre em áreas do corpo que são freqüentemente expostas à luz solar, tais como cabeça, pescoço, costas e mãos. Há, no entanto, uma relação paradoxal na qual indivíduos que trabalham expondo-se freqüentemente ao sol aparentam ter um risco menor de contrair melanoma quando comparados aos outros tipos de trabalhadores. A justificativa proposta é que a exposição intermitente à luz UV seja mais danosa que a exposição contínua.

No entanto, todos devem se proteger dos efeitos nocivos da luz solar através de medidas simples como:
  • Utilizar roupas que protejam a maior superfície corporal possível;
  • Procurar ao máximo a sombra;
  • Evitar o sol entre as 10:00 e as 14:00h, quando ele a radiação é mais intensa;
  • Utilizar fotoprotetores com fator de proteção alto ou altíssimo (FPS acima de 12).

Referências
DRAELOS, Zoe Diana. Cosméticos em Dermatologia. 2a Edição. Rio de Janeiro: Revinter, 1999. p.242-4
NEVES, Kátia. Efeitos do sol sobre a pele. Edição Temática Proteção Solar, p.14-7, n. 7, Ano 2, Março, 2008.
RIBEIRO, Cláudio. Cosmetologia Aplicada a Dermoestética. São Paulo: Pharmabooks, 2006. pp.125-127
INSTITUTO de Químca da Universidade de São Paulo. Bioquímica da Beleza. Curso de Verão. Abril de 2005. Versão revisada. http://www.sbbq.org.br/revista/mtdidaticos/bioq_beleza.pdf.
BRASIL. Instituto Nacional do Câncer. Câncer de pele. Disponível em: http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=333. Acesso em 23 de Setembro de 2007.
FRANCE, Presse. Ciência e Saúde. Folha Online 07/01/2004. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u10863.shtml. Acesso em 23/09/2007.
LEONARDI, Gislaine Ricci. Cosmetologia Aplicada. São Paulo: Medfarma, 2004. pp.14-6.
BASTUJI-GARIN, S.; DIEPGEN, T. L. Cutaneous malignant melanoma, sun exposure, and sunscreen use: epidemiological evidence. British Journal of Dermatology, n.61, v.146, 2002, pp. 24-30.
DIFFEY, B. Do we need a revised public health policy on sun exposure? British Journal of Dermatology, v.154, 2006, pp.1046-1051
BRASIL. Instituto Nacional do Câncer. Estimativa 2006: Incidência de câncer no Brasil [Relatório]. Rio de Janeiro : INCA, 2005. p. 39.
DIEPGEN, T. L.; MAHLER, V. The epidemiology of skin cancer. British Journal of Dermatology, n.61, v.146, 2002, pp. 1-6.

20 de Janeiro: Dia do Farmacêutico

20 de janeiro de 2010 |

Conta a história que certa vez Aluísio Pimenta, farmacêutico, escritor e Ministro da Cultura do Governo Sarney, perguntou ao seu amigo, também farmacêutico, Carlos Drummond de Andrade, porque ele se formara em Farmácia. Nosso poeta então respondeu: "Porque eu gosto das pessoas".

Neste dia 20 de Janeiro de 2010, o site Cosmética em Foco, homenageia todos os Farmacêuticos por seguirem gostando de pessoas desde o Antigo Egito e por terem sempre realizado seu trabalho com primor, sem a necessidade de aparecer e se divulgar aos quatro ventos.

Parabéns aos Farmacêuticos por saberem se portar e serem imprescindíveis no bastidores, mesmo quando quem mais precisa deles sequer saber de sua existência ou reconhecer a importância de seu suor e dedicação.

Pois ser Farmacêutico é muito mais que simplesmente portar um diploma ou uma carteira profissional. É acima de tudo ser humano e íntegro ao ponto de, simplesmente fazendo o que se ama, deixar sua marca na história, como o fizeram os Farmacêuticos abaixo:

Aluísio Pimenta
Antônio Mariano Alberto de Oliveira
Caleb Bradham
Cândido Fontoura
Carlos Drummond de Andrade
François-Antoine Descroisilles
Henri Nestlé
Isaac Newton
John S. Pemberton
José do Patrocínio
Paul Carl Beiersdorf
Pierre Pomet
Theodor Fontane

E tem mais colegas de profissão destacados aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Farmacêuticos

Vitamina K em cosmeticos

18 de janeiro de 2010 |

No dia 4 de janeiro de 2010, seguindo o que já foi proposto pela Comunidade Europpéia, a Anvisa divulgou o Parecer Técnico n°1, determinando que o uso de vitamina K, em todas as suas formas, está proibido em cosméticos. Na comunidade européia esta vitamina figura a lista de substãncia que não devem fazer parte de cosméticos.

O motivo parte do alto risco associado ao uso deste ativo, utilizado no tratamento de pacientes com hipoprotrombinemia (decorrente de disfunção hepática), no tratamento de fibrose cística, e como antídoto para drogas cumarínicas.

Também pelo risco de sensibilização e de ocorrência de dermatite de contato alérgica no local de aplicação, dos relatos de dermatoses ocupacionais associadas a está vitamina, e dos relatos de dermatite de contato alérgia pelo uso de vitamina K em produtos cosméticos.

Além disso, a princípio, não há necessidade de aplicação tópica desta vitamina, uma vez que ela está presente em alimentos e é produzida pela flora intestinal.

Para quem quiser consultar o texto da CATEC, basta clicar aqui .

A vitamina K
Descoberta em 1929, a vitamina K auxilia na coagulação do sangue e na resistência dos ossos (por meio da proteína oestocalcina, responsável pela fixação do cálcio nos ossos).

Parte da vitamina K é produzida naturalmente no corpo com a ajuda de bactérias da flora intestinal. No entanto, essa produção supre apenas 1/3 da nossa necessidade desta vitamina. Nos alimentos, ela é encontrada em verduras folhosas (espinafre, brócolis e alface) e no fígado de
animais (boi, porco e galinha). O chá verde também é uma boa fonte da vitamina.
Às vezes, independente da quantidade de ingestão de folhas verdes, ainda pode haver deficiência na vitamina K, bem como algumas doenças no fígado, na vesícula biliar ou no intestino também podem interferir na absorção de gorduras e da vitamina K.
Os recém-nascidos, por exemplo, nascem com pouca vitamina K e nos primeiros dias de vida tomam suplemento com a vitamina, pois o intestino ainda não tem bactérias suficientes para produzi-la e o leite materno não é uma boa fonte de vitamina k.

Mas atenção: pacientes cardíacos que utilizam medicamentos anticoagulantes, tem seu tratamento afetado se consumirem muita vitamina K ou suplementos vitamínicos que contenham esta vitamina. Também, o excesso da forma sintética da vitamina, a menadiona, pode ser tóxico. Por isso é importante manter-se informado e ter sempre acompanhamento médico.

Especial Verão 2010 - Parte 4

16 de janeiro de 2010 |


As conseqüências da exposição excessiva à radiação UV são amplamente difundidas nos meios de comunicação, mas durante os meses de verão as pessoas parecem esquecer dos seus efeitos maléficos. Principalmente da necessidade do uso de protetor solar em quantidades adequadas e com reaplicações frequentes ao longo do dia. (Se o seu frasco de FPS 30 durar mais que duas semanas, de visitas diárias à praia ou piscina, você não está usando o produto corretamente)

Dicas aos usuários de fotoprotetores

Para aproveitar o que o verão tem de melhor e não passar a estação cuidando de alergias, queimaduras, insolação e adiantar as estações seguintes com o envelhecimento precoce e o câncer de pele, seguem algumas dicas muito úteis! Vale a pena imprimir e colar no teto do quarto, ao lado do espelho no banheiro e levar uma cópia plastificada na bolsa de praia JUNTO com todos os protetores solares multifatores.

Eu sei que a maioria já nem dá importância para essa, mas evite exposição ao sol no horário entre 10h00 e 16h00, porque é nesse horário que há maior incidência da radiação UVA. Para as bronzeadas de plantão, a radiação UVA é muito melhor aproveitada nos horários permitidos (antes das 10h00 e após às 16h00). Ou seja: o bronzeado fica muito mais natural e sem queimaduras. (corrigido em 17/01/2009)

Não utilize perfumes, descolorantes ou outros produtos não específicos para a proteção solar, pois o risco de acontecer irritações e dermatites de contato é muito maior.

Prefira os produtos de uso diário que contenham em sua composição filtros UV, como batons, maquiagens, cremes capilares, etc.

As áreas mais sensíveis necessitam de um FPS mais elevado, como o rosto, os lábios, as orelhas e o couro cabeludo (atenção especial aos “carequinhas”).

Prefira os guarda-sóis de algodão de cor clara, pois as cores escuras absorvem mais radiação e calor. Além disso, os tecidos sintéticos, como o nylon®, fazem sombra, mas não protegem da radiação solar.

O mormaço também causa queimaduras e não se deixe iludir pela brisa refrescante, porque ela o faz esquecer dos efeitos nocivos do sol. Protetor solar sempre!

Escolha o protetor solar ideal para o seu tipo de pele e reaplique periodicamente. Não deixe o produto exposto diretamente ao sol, guarde-o naquela bolsa que fica embaixo de todas as cangas, bermudas e camisetas. Na dúvida? Guarde o protetor solar como se fosse o dinheiro da água de côco, porque é tão ou mais valioso para um envelhecimento saudável.

Só utilize produtos importados que estejam regularizados na Anvisa e contenham informações claras em português.

Prefira os protetores solares com FPS acima de 15.

Mesmo com protetor solar e debaixo do guarda-sol, use chapéu com aba para cobrir as orelhas, óculos escuros com lentes que (comprovadamente) protejam contra as radiações ultravioleta.

Proteja crianças e jovens, pois cerca de 85% dos casos de câncer de pele podem ser evitados quando se cuida da pele até os 18 anos!

Hidrate seu corpo durante todo o período em que estiver exposto ao sol: beba bastante água e sucos naturais. Evite bebidas alcoólicas e drinks que tenham limão. (aliás, frutas cítricas e sol são uma combinação perigosa!)

Hidrate bem a sua pele após o sol, para devolver a umidade perdida e ajuda-la na regeneração de suas funções.

A hidratação da pele após o sol

Após a exposição à radiação UV pode haver maior perda transepidermal de água, devido a um rearranjo das células na camada córnea (parte mais externa da epiderme).

A pele sofre agressões da radiação UV, apresentando um processo inflamatório local, cujo principal sintoma é o eritema (vermelhidão), a mais famosa manifestação da exposição exagerada à radiação UV. Cerca de 99% do eritema é causado pela radiação UVB de 2 a 8 horas após a exposição e alcança o máximo em até 36 horas. As ondas UVA parecem ser menos efetivas nesses casos.

Além da tradicional “cor de camarão” (o eritema), as áreas expostas ao sol também podem apresentar prurido (coceira), dor, edema (inchaço), vesiculação (formação de bolhas), necrose da pele (as queimaduras propriamente ditas) e diminuição da resposta imune.

Outro efeito da radiação UV é a formação de radicais livres na pele, que atacam membranas celulares, DNA e proteínas, acelerando o estresse oxidativo, diretamente relacionado ao envelhecimento.

Por tudo isso (que ainda será detalhado mais adiante neste Especial Verão 2010 do site Cosmética em Foco) é que um cosmético pós-sol deva conter ativos que melhorem a hidratação, renovem a função de barreira, tenham capacidade de neutralizar radicais livres, apresentem efeito calmante (diminuição do eritema), sejam emolientes e aumentem a resistência imune da pele.

Assim, preparei a tabela abaixo com os principais ingredientes cosméticos utilizados em produtos pós-sol e suas principais funções neste tipo de produto:

Cabe destacar que os cosméticos pós-sol, sejam em cremes, loções, géis ou qualquer outra apresentação, têm a função de apenas aliviar as conseqüências imediatas causadas pela radiação moderada à radiação UV. O ideal é não exagerar na exposição e prevenir danos maiores à pele com o uso adequado de fotoprotetores.

Tem dúvidas?

Não entendeu alguma parte deste post ou de todo o Especial Verão 2010 do site Cosmética em Foco? Quer perguntar algo sobre verão, envelhecimento, câncer de pele, fotoprotetores, bronzeadores ou qualquer outro assunto relacionado à estação mais quente do ano? Então envie suas perguntas por email, twitter ou comentário, pois teremos uma postagem exclusiva para responder a perguntas no fim deste projeto.

Referências
INMETRO. Protetor Solar. Acesso em 04/01/2010
INMETRO. Protetor Solar II. Acesso em 04/01/2010
RIBEIRO, Cláudio. Cosmetologia Aplicada a Dermoestética. São Paulo: Pharmabooks, 2006. pp.125-127

Meu primeiro selinho

15 de janeiro de 2010 |

Eu nunca havia entendido direito o que eram esses tais selinhos que os blogueiros distribuíam a torto e a direito. Agora que recebi o meu primeiro é que entendi melhor!


E agradeço imensamente a Andréa do Não Vivo Sem Cosméticos pela indicação!

Em qual cidade mora? Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa.

Trabalha em quê? Sou farmacêutico industrial e trabalho no laboratório de desenvolvimento de produtos de uma grande empresa nacional e cuido do Cosmética em Foco.

Gosta do que faz? Amo tudo o que faço e faço o que amo. Desde o primeiro dia de faculdade eu quis ir para a área industrial trabalhar no desenvolvimento de cosméticos. Não foi fácil, mas nunca desisti, sempre acreditei que conseguiria mesmo com as centenas de pessimistas dizendo que seria difícil ou impossível. Hoje já lancei várias linhas de produtos que são sucesso nacional e a maioria das brasileiras ama também. E isso é muito gratificante! Tão gratificante quanto o reconhecimento dos leitores do blog com a seriedade e cautela com a qual trato os assuntos abordados aqui.

Empregado ou patrão? Empregado.

Se não trabalhasse nisso, o que faria? Já fiz teatro, aulas de canto, já dei aulas de inglês, já trabalhei em padaria e lanchonete e não tenho vergonha de trabalhar no que tiver de ser, mas nunca existiu a opção "se não trabalhasse nisso". Sempre quis trabalhar no que faço hoje. Só não imaginava que um dia seria blogueiro e teria um blog sobre cosméticos até criar o Cosmética em Foco.

Trabalharia em um setor administrativo ou como professor? Já fui também de área administrativa e gosto muito de dar aulas. Hoje ministro cursos e palestras.

Como é sua rotina? Não por opção, eu acordo todos os dias às 5h30 para trabalhar até as 17h48 (horário industrial, vai entender). Chego em casa pra lá de 19h30, (alguns dias) preparo comida, janto, sento em frente à TV e ao computador para acompanhar a programação e trabalhar no blog e/ou tuitar (http://www.twitter.com/gux_boaventura). Quando voltarem às aulas, eu passarei novamente a chegar em casa e estudar e só "blogar" e tuitar aos fins de semana.

O que faria se ganhasse na mega hoje? Meio difícil porque eu não jogo. rsrs Mas se tivesse dinheiro "sobrando" eu investiria mais no blog, com certeza! E teria minha própria (e tão sonhada) marca de cosméticos.

E os 5 blogs que indico são:
1. Sacola Phyna - Pri
4. Maquiagem Mineral - Ilália
5. Meninos Podem - Luix

Especial Verão 2010 - Parte 3

13 de janeiro de 2010 |


Testes realizados pelo Inmetro

Em 1998, o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia) realizou o estudo Proteção Solar, no qual foram analisadas 10 marcas de fotoprotetores FPS 8. Deste estudo todas as 10 marcas tiveram resultados satisfatórios segundo a metodologia COLIPA e FDA.

Em 2002, após a publicação de Resolução RDC nº 237, que definia que a deterinação do Fator de Proteção Solar deverá ser realizada aplicando-se estritamente uma das metodologias citadas anteriormente, foi realizado um novo estudo.

Naquele mesmo ano, foram analisadas 10 marcas (8 nacionais e 2 importadas) FPS 15. As análises apresentaram variações aceitáveis nos valores de FPS, considerando a subjetividade do método de análise, o intervalo de confiança do método e o tratamento estatístico dos resultados.

Levando-se em consideração que os ensaios são realizados para os raios UVB, de acordo com as metodoloias validadas internacionalmente, observou-se que os valores de FPS acima de 10 oferecem bloqueio de 90% contra esa radiação.

A evolução do mercado de Proteção Solar

Os egípcios usavam óleos de mamona, jasmin e amêndoa extrato de magnólia. Já os gregos utilizavam uma mistura de óleo de oliva e areia.

O primeiro protetor solar propriamente dito foi desenvolvido pelo farmacêutico americano Benjamin Greene, em 1944, com o nome de Coppertone e essência de jarmin. O produto era à base de petrolato, de cor vermelha e bastante viscoso.

O químico suíço Franz Greiter desenvolveu o conceito de FPS em 1962. O primeiro filtro solar desenvolvido por ele tinha FPS 2, ideal para a época. Atualmente, o laboratório de Franz Greiter é uma empresa suíça pertencente à Johnson & Johnson.

No Brasil, o primeiro protetor solar foi lançado em 1984 pela mesma empresa, o Sundown, que trouxe consigo o conceito da importância de se proteger a pele do sol.

De acordo com uma pesquisa realizada pela L’Oréal Brasil em 2003, os protetores com FPS 30 ocupavam a liderança do mercado brasileiro. De 2003 a 2006, houve crescimento de 14% das consumidoras que usavam esse FPS no rosto, ao mesmo tempo que diminuiu cerca de 9% o número de pessoas que preferiam FPS 15.

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o Brasil tem participação mundial de 9,2% no mercado de protetores solares, sendo o segundo mercado mundial. Apenas 3,4% do mercado nacional pertence a esta classe de produtos, sendo o FPS 15 o preferido pela população. A figura ao lado apresenta o faturamento do mercado de fotoprotetores em 2009.

Esta é a categoria de cuidados com a pele que mais cresce. Do mercado de Proteção Solar, 87,9% da receita total são dos protetores e bloqueadores solares.

O potencial de crescimento é ainda maior se considerar que apenas 30% da população utiliza fotoprotetores. Acredita-se que o preço elevado dos protetores solares seja o principal fator para sua baixa utilização pelos brasileiros.

A estimativa é que em 2011 as vendas alcançarão cerca de R$ 1,630 bilhão (US$ 748 milhões).

Os preferidos dos consumidores

A Johnson & Johnson, com a marca Sundown, é a líder da categoria e, em 2006, tinha aproximadamente 33% do mercado brasileiro. A Beiersdorf, com a linha Nivea Sun teve 13% de market share. Em terceiro lugar estava a linha Natura Fotoequilíbrio, da Natura, com 9% de participação.

Segundo dados do Euromonitor de 2007, a marca Sundown, mesmo sendo distribuída apenas no Brasil, está em sétimo lugar em vendas no mundo. Muito fácil de assimilar, pois o Brasil já é o segundo mercado mundial de Proteção Solar.

Mercado Europeu

O mercao de proteção solar da França, Itália, Alemanha, Espanha e Reino Unido estava apreensivo em 2008. Os mercados francês e italiano tiveram uma singela recuperação. O mercado alemão registrou queda tanto em volume quanto em valor. O Reino Unido registrou uma pequena diminuição em valor, mas nada muito preocupante. Enquanto na Espanha a indústria estava esperançosa após o breve crescimento em valor registrado em 2007.

Tem dúvidas?
Não entendeu alguma parte deste post ou de todo o Especial Verão 2010 do site Cosmética em Foco? Quer perguntar algo sobre verão, envelhecimento, câncer de pele, fotoprotetores, bronzeadores ou qualquer outro assunto relacionado a estação mais quente (e chuvosa) do ano? Então envie suas perguntas por email, twitter ou comentário, pois teremos uma postagem exclusiva para responder essas perguntas no fim deste projeto.

Referências
INMETRO. Protetor Solar. Acesso em 04/01/2010.
INMETRO. Protetor Solar II. Acesso em 04/01/2010
RIBEIRO, Cláudio. Cosmetologia Aplicada a Dermoestética. São Paulo: Pharmabooks, 2006. pp.82-3, 88, 109
NASCIMENTO, Mayla Siracusa. Proteção Solar: mercado quente. Edição Temática Proteção Solar, p.6-8, n. 7, Ano 2, Março, 2008.
RODGERS, Katie. Most Sun Care Marketers Look on the Bright Side. Happi, p.38-40, April, 2008.

Mais sobre a matéria da revista PRO TESTE

12 de janeiro de 2010 |

Segue abaixo a transcrição do esclarecimento da Anvisa, publicada em 15 de dezembro de 2009, acerca da polêmica gerada pela matéria da Revista PRO TESTE do mesmo mês:

"Protetores Solares – Teste comparativo PRO TESTE

Tendo em vista a matéria publicada na revista Pro Teste número 87, de dezembro de 2009, a Anvisa esclarece que:

• Em relação ao estudo realizado pela PRO TESTE, não podemos avaliar os resultados apresentados sem tomar conhecimento das metodologias empregadas nos testes.

• No Brasil, há dois regulamentos técnicos específicos para protetores solares:
Resolução - RDC nº 47, de 16 de março de 2006Regulamento Técnico “LISTA DE FILTROS ULTRAVIOLETAS PERMITIDOS PARA PRODUTOS DE HIGIENE PESSOAL, COSMÉTICOS E PERFUMES”.
Resolução nº 237, de 22 de agosto de 2002 Regulamento Técnico Sobre Protetores Solares em Cosméticos.

• Para fins de registro dos protetores solares, a RDC 237/02 estabelece metodologias de referências para determinação do nível de proteção solar e para resistência à água.

• A RDC 47/06 estabelece a lista de ingredientes que podem ser usados como filtro solar em produtos cosméticos. Esta lista foi discutida e harmonizada no âmbito do Mercosul, tendo como referência informações técnico-científicas atualizadas, bem como o disposto na legislação de outros países.

• O ingrediente benzophenone-3, mencionado na matéria, é permitido em concentrações de até 10%, conforme consta da RDC 47/06 (Nº de Ordem 17). Essa susbtância foi estudada por grupos de experts tanto na Europa como nos Estados Unidos e considerada segura em ambas as avaliações. Essa substância é permitida como filtro solar também nos países da União Européia e nos Estados Unidos.

• Ao contrário do que afirma a matéria, a RDC 237/02 traz controle e exigências relativas à proteção UVA. A quantificação da proteção UVA deverá ser realizada através de metodologias reconhecidas. A forma de expressar a proteção UVA no rótulo está ligada à metodologia empregada para quantificar a proteção.

• A RDC 237/02 que estabelece, dentre outros, a metodologia para determinação do FPS e a rotulagem dos produtos está sendo revista. A Resolução Mercosul que resultou na RDC 237/02 está em discussão entre os países que compõem o Bloco. Além das alegações de rotulagem, estão sendo revistos os critérios e regras para o nível de proteção UVA além das metodologias a serem empregadas.

• Além disso, a Resolução RDC nº 211, de 14 de julho de 2005 estabelece como requisitos técnicos obrigatórios os dados de segurança e a comprovação de eficácia, dentre outros. De acordo com este Regulamento, esses produtos são classificados como Grau 2 devido a sua composição e à finalidade intrínseca ao produto. Para registro desses produtos é necessária a apresentação de teste de eficácia de uso do produto acabado.

Esclarecemos ainda que o uso de protetores solares é apenas uma das alternativas para prevenção dos danos causados pela exposição ao sol. Outras recomendações podem ser encontradas na cartilha de proteção solar disponível em nosso portal."

Texto original disponível na página de cosméticos do Portal da Anvisa.

Especial Verão 2010 - Parte 2

9 de janeiro de 2010 |


Os tipos de pele
A tabela abaixo apresenta os tipos de pele segundo a classificação de Fitzpatrick, baseada na resposta da pele à exposição ao sol. Ela é muito utilizada como referência em testes de FPS.


Os filtros solares

Os filtros solares são substâncias químicas que têm propriedade de absorver, refletir ou dispersar a radiação que incide sobre elas. São classificados como:
Filtros orgânicos – compostos aromáticos conjugados a um grupo carbonila e grupos doadores de elétrons (amina ou metoxila) nas posições orto ou para, que têm a capacidade de absorver e dispersar a energia recebida, por meio de um fenômeno químico (muito) conhecido como ressonância. Por essa razão também são classificados como filtros químicos ou absorvedores. Desta classe, os mais conhecidos são parametoxicinamato de octila, benzofenona-3 e avobenzona.
Filtros inorgânicos – muito utilizados em formulações infantis devido a seu baixo potencial alergênico, são pós inertes e opacos, insolúveis em água e óleo. Eles formam uma barreira sobre a pele, refletindo e dispersando a luz UV (ocorre uma mínima absorção, insignificante se comparada aos filtros orgânicos). Os mais utilizados pela indústria nacional são o óxido de zinco (ZnO) e o dióxido de titânio (TiO2), os responsáveis por aquela cena típica da praia: o produto branco no nariz e bochecas.

O que é o FPS?
O Fator de Proteção Solar (FPS) é a relação das energias necessárias para induzir, em voluntários humanos, uma resposta eritemática cutânea (vermelhidão) mínima na pele protegida e não protegida pelo produto, através de radiação ultravioleta (UV) emitida por uma fonte artificial.
A Determinação do Fator de Proteção Solar se baseia numa relação da MDE (mínima dose eritemática) da pele protegida com o produto estudado sobre a MDE da pele não protegida.

A mínima dose eritemática na pele (MDE) é considerada como a quantidade mínima de energia radiante necessária para produzir vermelhidão.

Para um estudo completo, um mínimo de 10 voluntários é suficiente se o intervalo de confiança a 95% (95% CI) do FPS encontrado no ensaio, estiver dentro da variação de ± 20% do FPS médio (FPSm). Caso contrário, o número de voluntários é aumentado até que se atinja o critério estatístico (máximo de 20 voluntários).
O FPS está diretamente relacionado à quantidade e à natureza dos filtros solares utilizados na elaboração do produto. Quanto maior o valor do FPS, maior será o nível de proteção (já sabemos de posts anteriores que isso é relativo, pois depende da reaplicação do produto).
Para escolher o FPS ideal para o seu tipo de pele, deve-se levar em consideração regiões que não estão expostas ao sol com freqüência, como braços ou rosto. Mais importante ainda é saber que se a sua pele for dos fototipos I ou II, de nada adiantará ficar o dia inteiro sob o sol sem fotoprotetor ou apenas com bronzeador, que o único resultado dessa irresponsabilidade será acelerar o envelhecimento cutâneo e aumentar bastante o risco de surgimento do câncer de pele.
Metodologia de determinação do FPS

O FPS pode ser determinado “in vitro” ou “in vivo”. No Brasil, a Resolução RDC 237/02, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), determina que os produtos que apresentam no rótulo um número de FPS devem, obrigatoriamente, apresentar estudo que comprove esta informação utilizando a metodologia do Food and Drug Administration (FDA, órgão regulador dos Estados Unidos) ou a norma COLIPA (da União Européia). Ambos os testes são realizados “in vivo”, ou seja, em seres humanos voluntários.
Metodologia FDA – o Fator de Proteção Solar de um produto é determinado a partir da média do FPS obtido através da aplicação do produto nas costas de 20 (vinte) voluntários que são expostos a uma fonte de luz artificial que simula a radiação solar. A média final encontrada não pode ser inferior ao FPS declarado na embalagem do produto pelo seu fabricante e a variação dos 20 (vinte) valores encontrados não pode ser maior que 5%.
Metodologia COLIPA – este método pode ser aplicado no mínimo em 10 (dez) e no máximo em 20 (vinte) voluntários, dependendo da relevância estatística desejada. Assim como no método anterior, o FPS também é obtido a partir da média dessas medições. Os parâmetros para a aprovação permitem uma variação de +20% em relação ao FPS declarado.
O valor do FPS é determinado pela razão entre o tempo de exposição até o início de eritema (vermelhidão) na pele com filtro solar e o tempo de exposição até o início de eritema na pele sem filtro solar.
Para este tipo de teste, o ideal é utilizar voluntários com pele de fototipo I, II ou III, que são mais sensíveis e necessitam maior fotoproteção que os outros fototipos.

Mas e a proteção UVA?

Se o FPS é determinado levando-se em consideração o eritema, ele preocupa-se muito mais com a radiação UVB. É certo que entre UVA e UVB, a radiação UVB oferece mais risco, mas e a proteção UVA?

A Austrália, o país mais avançado em pesquisas nesta área, já possui metodologia específica para garantir a eficácia da fotoproteção UVA. Enquanto ela não chega aqui, as empresas garantem a proteção UVA utilizando filtros químicos que absorvem a energia no comprimento de onda das radiações UVA.

E como dizem os twiteiros #ficadica: se você quer se bronzear (e se o seu fototipo de pele permite essa façanha) não precisa abrir mão dos protetores solares, pois a maior faixa de atuação deles é a radiação UVB, mas a grande responsável pelo bronzeamento é a radiação UVA! Bingo! Mas isso não significa que não se deva usar fotoprotetores UVA porque ela também tem potencial carcinogênico, ou seja, também pode causar câncer de pele. Quer saber mais sobre como chegar ao bronzeado perfeito? Espera mais um pouco que logo, logo, chegaremos lá. Mas eu adianto: a alimentação está intrinsecamente relacionada!

Tem dúvidas?
Não entendeu alguma parte deste post ou de todo o Especial Verão 2010 do site Cosmética em Foco? Quer perguntar algo sobre verão, envelhecimento, câncer de pele, fotoprotetores, bronzeadores ou qualquer outro assunto relacionado a estação mais quente (e chuvosa) do ano? Então envie suas perguntas por email, twitter ou comentário, pois teremos uma postagem exclusiva para responder essas perguntas no fim deste projeto.



Fontes:
INMETRO. Protetor Solar. Acesso em 04/01/2010.
INMETRO. Protetor Solar II. Acesso em 04/01/2010
RIBEIRO, Cláudio. Cosmetologia Aplicada a Dermoestética. São Paulo: Pharmabooks, 2006. pp.82-3, 88, 109

Especial Verão 2010 - Parte 1

7 de janeiro de 2010 |


Introdução
Na estação mais quente do ano (em sentido literal e figurado), o Cosmética em Foco traz o seu primeiro especial com uma série de postagens (acredite, é uma série mesmo! Você vai perder a conta do quanto falaremos) sobre fotoproteção.


O Brasil tem grande parte de sua superfície demográfica localizada entre o Trópico de Capricórnio e o Equador. Nesta região, a intensidade da radiação solar é maior, pois os raios solares incidem em um ângulo mais perpendicular. Assim, como nosso país tem a maior área intertropical do mundo, ele é também o mais ensolarado. Um fator que contribui muito para o grande aumento do número de pessoas com câncer de pele no país.
A estrutura da pele humana

A pele, o maior órgão do corpo humano, corresponde a 16% do peso corporal e suas principais funções no organismo são: regulação térmica, defesa orgânica, controle do fluxo sangüíneo, proteção contra diversos agentes externos e funções sensoriais.
Este tecido constitui de duas camadas: a epiderme e a derme, mas alguns autores também consideram a camada subcutânea (hipoderme) como parte da pele. São elas:

Epiderme – é a camada mais externa, composta basicamente por queratina e células específicas chamadas queratinócitos. Também é nesta camada que estão os melanócitos (os responsáveis pela produção de melanina).

Derme – localizada entre a epiderme e a hipoderme, é a camada responsável pela resistência mecânica e elasticidade da pele, por ser rica em elastina e colágeno.

Hipoderme – é a parte mais profunda, constituída principalmente pelos adipócitos (células de gordura) envoltos por um tecido conjuntivo.
As três camadas da pele são sensíveis aos raios ultravioleta (UV), que fazem parte da luz solar.
A radiação UV, tipos de raio e seus efeitos
O espectro solar é composto por uma série de radiações. A maioria tem seus benefícios para os seres vivos, mas quando a quantidade de energia absorvida é superior à dose tolerável, os riscos podem ser inevitáveis


As principais radiações solares são:

Raios infravermelhos - Responsáveis pela sensação de calor e desidratação da pele durante a exposição ao sol.

UVA (comprimento de onda de 320 a 400nm) – Bronzeiam superficialmente e contribuem para o envelhecimento extrínseco da pele, induzido pela exposição prolongada ao sol.

UVB (comprimento de onda de 290 a 320nm) – São as responsáveis pelo eritema (vermelhidão) característico da exposição ao sol, envelhecimento precoce e câncer de pele, atingindo, principalmente, pessoas de pele clara.

UVC (comprimento de onda de 200 a 290nm) – São bastante prejudiciais, não estimulam o bronzeamento e podem causar queimaduras solares e câncer. Apesar de já existirem estudos contrapondo esta opinião, esse tipo de radiação raramente atinge a superfície da Terra, pois é absorvida pelas camadas mais altas da atmosfera e estratosfera.
Os raios UV podem provocar reações tardias, devido ao efeito cumulativo da radiação durante a vida, causando a aceleração do envelhecimento cutâneo e as alterações celulares que predispõem ao câncer de pele. Quanto menor o comprimento de onda, mais nociva é a radiação, pois maior é sua penetração nos tecidos vivos. Como os raios UVC ainda alcançam muito a superfície da terra, os raios UVB são considerados os mais carcinogênicos, mas a deficiência na camada de ozônio tem aumentado progressivamente a incidência de ambas radiações UV.

Os raios UVA, por sua vez, contribuem para o início ou piora das doenças ocasionadas pelo sol, como o fotoenvelhecimento, o aparecimento de manchar e rugas e o câncer de pele.

Bronzeamento e queimaduras

O bronzeamento tão desejado, nada mais é que uma defesa natural do organismo ante a radiação solar. A incidência da luz solar na pele estimula os melanócitos a produzirem melanina, um pigmento natural da pele que tem a capacidade de reduzir a penetração das radiações UVA e UVB.

Nos primeiros dias de exposição ao sol, este mecanismo de produção da melanina começa a ser ativado e, por essa razão, neste período deve-se utilizar fotoprotetores com fatores de proteção (FPS) mais elevados.

As queimaduras, sensações de ardor e inchaços (edemas) são sinais da exposição indevida ao sol. A escolha adequada do fotoprotetor ideal para cada tipo de pele e o uso correto são de fundamental importância para a prevenção desses sinais e de outros não visíveis. Peles mais claras e/ou sensíveis necessitam FPS mais elevados.

Um produto com FPS 20, por exemplo, permite exposição ao sol por um período 20 vezes do que se o usuário estivesse sem nenhuma proteção. No entanto, após esse período, ele perde sua eficácia e por isso deve ser reaplicado periodicamente. Quanto menor o FPS, maior a frequência de reaplicações.

Tem dúvidas?

Não entendeu alguma parte deste post ou de todo o Especial Verão 2010 do site Cosmética em Foco? Quer perguntar algo sobre verão, envelhecimento, câncer de pele, fotoprotetores, bronzeadores ou qualquer outro assunto relacionado a estação mais quente (e chuvosa) do ano? Então envie suas perguntas por email, twitter ou comentário, pois teremos uma postagem exclusiva para responder essas perguntas no fim deste projeto.

Fontes:
INMETRO. Protetor Solar. Acesso em 04/01/2010.
INMETRO. Protetor Solar II. Acesso em 04/01/2010.
WIKIPEDIA. Pele Humana. Acesso em 04/01/2010.

FPS na embalagem é garantia de sucesso

5 de janeiro de 2010 |

Ainda na vibe dos fotoprotetores, afinal estamos na estação mais cosmética do ano, o verão, neste post trago um apanhado de uma matéria da revista Embalagem Marca, que narra a estratégia de mercado adotada pela Apex no lançamento de sua marca própria de fotoprotetores: o Perfect Sun.

A grande responsável pelo sucesso da marca é a embalagem com destaque maior ao FPS que a própria marca no rótulo. Dessa forma, a informação mais procurada pelos consumidores salta aos olhos, facilitando sua localização e identificação no ponto de venda.

Essa estratégia é muito válida, pois em geral os consumidores não gostam de ficar parados em frente a gôndolas comparando informações de rotulagem, a não ser que a intenção seja mudar de produto. É constrangedor ficar muito tempo parado em uma gôndola de supermercado ou farmácia, pois pode parecer que não sabe o que quer e deixa aberta a oportunidade para aquela famosa abordagem (detestada por muitos): “posso ajudar em alguma coisa?”

Além de atingir direto o público-alvo, esse posicionamento também permitiu destaque maior frente aos (gigantes) concorrentes líderes de mercado.

O desempenho de vendas inicial foi 65% maior do que o esperado! Sinal de que a estratégia pode realmente estar certa. E devido ao sucesso, neste ano a empresa expandiu a linha com uma versão infantil, protetor labial e gel hidratante pós-sol, e se prepara para conquistar também os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro.


Quem também apostou nesta estratégia foi O Boticário, com o redesign da linha Golden Plus para o verão de 2010. Cujo impacto é diferente, pois os seus consumidores, dentro das lojas da franquia não têm sua atenção desviada para fotoprotetores concorrentes, mas a informação mais evidente do FPS torna mais fácil identificar nas lojas onde está o produto. Além de dar prosseguimento a eliminação de embalagens secundárias (os cartuchos de papel cartão onde os produtos vinham acondicionados anteriormente).


Opinião do autor: eu, particularmente, não gosto do layout. Acho que a marca perde (ou deixa de ganhar) credibilidade e pode ser facilmente copiada por um concorrente, gerando confusão ao consumidor, mas a estratégia deu muito certo. Foi uma saída inteligente que não deixou de seguir a legislação. Por exemplo, 30 é o nome do produto e abaixo vem o texto obrigatório: "FPS 30", exigido pela RDC 237/02. Concordo mais com a abordagem d'O Boticário.

Fonte: Os números da sorte. Revista Embalagem Marca, dezembro, 2009. Disponível em: http://www.embalagemmarca.com/flipo/0000000039/0000000154/EM124.pdf

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