Apliquei o creme sobre a pele. E agora? – Parte 1

Para que um creme consiga cumprir com tudo aquilo que promete no rótulo (os claims ou apelos específicos de cada produto), é preciso vencer algumas barreiras na permeação cutânea. E, sendo a pele uma proteção do corpo (em relação à perda de água e proteínas, manutenção da temperatura corporal, síntese de vitamina D, possíveis agressões de agentes externos, tais como micro-organismos, agentes físicos e químicos), não parece tarefa tão simples atravessá-la. É preciso que o produto penetre a epiderme, permeie a derme, para que então seja absorvido pela hipoderme.

Estrutura anatômica da pele.
Foto: Reprodução Toda Matéria

O primeiro obstáculo a ser vencido é a penetração do produto na epiderme, camada mais externa da pele, em cuja superfície encontramos o estrato córneo, composto por queratinócitos e principal responsável pela proteção. Dependendo das propriedades físico-químicas do produto aplicado, a penetração pode se dar através de duas vias: transdérmica ou transanexal. Na primeira, o produto penetra por entre as células (intercelular) ou por dentro delas (transcelular). Esta via é bastante lenta, em função da extensão e espessura desta camada. Já a via transanexal compreende a passagem do produto pelos folículos pilosos ou através das glândulas sebáceas. Esta via é mais rápida, já que a facilidade de penetração é maior, uma vez que o produto encontra menos resistência no caminho atravessado.

Tendo conseguido atravessar a epiderme, o produto deve então permear pela derme, segunda camada da pele, mais profunda e pouco vascularizada. É importante destacar que aqui se situam os fibroblastos e as tão famosas fibras de colágeno e elastina. Por fim, o produto é absorvido pela hipoderme, tecido subcutâneo onde se encontram vasos sanguíneos e linfáticos responsáveis por transportar o produtos através da circulação sistêmica até os órgãos.

Como pudemos observar, no meio do caminho existiam muitas pedras! Assim, são raros os produtos que conseguem atravessar todas estas camadas. É possível facilitar a travessia? Claro que sim! E é exatamente sobre isso que falaremos no próximo texto!

Referência:
HARRIS, M.I.N.C. Pele: estrutura, propriedades e envelhecimento. São Paulo: Senac, 2009.

5 Comentários em "Apliquei o creme sobre a pele. E agora? – Parte 1"

  1. Bom dia! Já existe produtos para pele que penetre todas as camadas da pele ? Pelo que entendi, esse tipo de protudo , ainda não existe no mercado , ou estou enganada. Atualmente, uso o da Mery kay . Parece bom, em relação à alguns que ja testei.

  2. Olá ! Gostei dessa matéria em que você fala sobre a penetraçao do creme em nossa pele. Vou aguardar agora, quais os tipos de creme ou marcas que fazem essa travessia nais quais voce informou. Abraços, Maria Amélia.

  3. Cosmética em Foco | 5 de agosto de 2016 at 00:36 |

    Olá Maria Amélia,

    Obrigado por sua pergunta! Na verdade, é difícil para nós e para os consumidores saberem quais cremes penetram mais profundamente pois isso requer testes específicos em laboratório. No entanto, se algum fabricante estudou e comprovou este benefício, certamente ele vai escrever algo no rótulo falando sobre a capacidade do creme de chegar “às camadas mais profundas da pele” ou sobre a tecnologia de liberação dos ativos!

  4. Olá gostaria de saber se assim com os produtos as frutas ou verduras por exemplo uma mascara natural de feita com cenoura e mel, ela vai passar pelo mesmo processo que os cremes?

    • Cosmética em Foco | 2 de março de 2017 at 22:35 |

      Olá Claudia, obrigado por seu comentário. Os produtos cosméticos utilizam matérias-primas específicas, diferente dos alimentos minimamente processados, como no caso de produtos feitos em casa. O processo em si é o mesmo, mas o aproveitamento dos ingredientes é diferente, pois a sua máscara de cenoura e mel, por exemplo, tem ingredientes brutos que não serão todos absorvidos pelas células da pele, como no caso de proteínas, por exemplo.

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